segunda-feira, 5 de novembro de 2012

Voluptuoso


Quando na imaginação surge
Um momento de deslumbre
Logo vence o deleite
Flashes surgem num açoite
As mãos correm
Pelas planícies e curvas do corpo
Um falo, mastro, pau
Rígido, é o ponto principal
A despeito dos outros erógenos
Ele é o foco
Nos movimentos de cima a baixo
Em seu tronco e o ponto mais alto
Carrega toda a tensão
No ápice da fantasia
Aonde se torna dissoluto
Cospe o gozo para a prova
De que o apogeu dos prazeres
É físico, palpável
O produto desce por escárnio
Meias vidas pelo ralo
E então, por fim, o falo fali
Quieto e triste
Esperando por mais um devaneio voluptuoso 

domingo, 28 de outubro de 2012

No final das contas


Quando eu era criança, achava que seria professor de História. A beleza e o profissionalismo de uma professora da 5º série me encantavam. Mas muito antes disso, acho que aos 5 ou 6 anos, eu queria ser o médico que fazia parto. Vulgo obstetra. Talvez fossem esses os primeiros sinais de criatividade, dar vida a algo. Depois passei a gostar de criar bolos com barro. Procurava pelo quintal e pela rua, objetos e plantas para a cobertura. Não demorou muito para aprender a cozinhar: observava minha mãe em todos os passos na cozinha. Daí queria ser cozinheiro, chefe de cozinha. “Pai, quero estudar gastronomia e história”. Ele disse que ainda tinha muita água para passar por baixo da ponte, e que eu iria mudar de ideia muitas vezes. Mantive esse desejo até a 8º série. Foi quando, numa dessas pesquisas que os professores costumam fazer em sala de aula, a professora Daniela (dava aula de Artes) perguntou o que queríamos ser. Quando disse que estudaria gastronomia, ela logo adiantou “Ce sabe que cê vai ter que ó... ir pra fora”. Me deu um frio na barriga. Como assim ir pra fora? Ficar sem meus pais e irmão? Meus amigos? Não dá. Tenho que fazer outra coisa. Não demorou muito pra eu descobrir uma nova vontade. “Tio, o que eu tenho que estudar pra ser diretor de clipe?” “Ah... Cinema.” Minha tia fez uma cara de “Cê vai estudar isso?”. Ok. Agora quando me perguntarem o que eu vou estudar, a resposta será Cinema. Sempre via meus colegas dizendo que iriam fazer medicina, engenharia, psicologia... Coisas socialmente aceitáveis. Mas eu queria fazer Cinema. Eu, pobre, morando na zona norte. “Vai viver do quê?” Não sei como descobri Publicidade e Propaganda. Mas já no ensino médio me lembro de ter escolhido isso. Hoje eu nem quero mais. Um dia meu amigo me apresentou o “Movie Maker”, editor de vídeo do Windows. Achei fascinante. Depois disso pesquisei sobre outros programas semelhantes e decidi: vou ser diretor e editor. Sempre que era possível, eu apresentava um trabalho em vídeo. Mesmo quando não dava, eu gravava a apresentação pra editar e compartilhar com os amigos. Era uma paixão sem volta. Em 2011 comecei a estudar para seguir esse sonho. Formei-me em Técnico em Rádio e Televisão. UAU! Passou um filme longo na minha cabeça: depois de tanto divagar sobre profissões, encontrei a que realmente faz sentido. Mas um sentimento de insatisfação toma conta de mim, numa proporção pavorosa. Nunca está bom o suficiente. Sempre acho que falta um pedaço, sobra um pedaço. E ter estudado o que eu realmente escolhi, encheu minha cabeça de interrogações. Descobri que canto bem em jingle, sou um bom locutor, amante de fofocas cômicas de subcelebridades (criei um podcast pra isso), escrevo textos bons para meu tímido blog, sou um bom editor de áudio e vídeo, aspirante a cinegrafista e operador de câmera. Além disso, cozinho bem. Mas não fiz nenhum parto, me atrapalho pra contar histórias e não tenho uma boa memória. Apesar de não parecer, não sou seguro de nada disso. Acredito quando dizem que sou bom em alguma coisa só pra não pirar de vez.

Às vezes dá medo de não ser bom em nada no final das contas. 

Da curiosidade

Ai, se a curiosidade soubesse
O quanto a alma padece
Pra poder se sustentar

Ela se contentaria com o que tem
Não duvidaria de ninguém
E deixaria esse pobre homem descansar

Mas eu que sou quase bobo
Tenho o coração de tolo
A deixo tudo comandar

Eu que vivo me perdendo por aí
Logo tão tarde percebi
Que ela faz meu doce azedar

Ela que pergunta até quando
Tanto, quanto, até como
O meu peito pode aguentar

Falo grosso, bem baixinho
Admito, eu não minto
Que ela faz meu mundo girar

sábado, 18 de agosto de 2012

Dó De Mi, Não Fa Sol


Quem nunca se pegou olhando uma prova, trabalho aonde perdeu alguns décimos, por não ter formulado bem uma frase? É bem comum. E isso se estende aos vídeos editados, palhetadas mal dadas no violão, a pitada de sal no almoço... Tudo tende a insatisfação.

Esse sentimento é muito recorrente pra mim, que sou extremamente impulsivo. Penso pouco antes de soltar minha raiva nas palavras, meus desesperos e descontentamentos. Tem muita coisa que eu faria diferente sim, essa de dizer que “faria tudo igual” pra mim não rola. Arrependo de não ter dito cautela ao me defender da insatisfação que vivi. Poderia e deveria ter tido mais cuidado com as palavras. Com as atitudes não; fiz o que era certo, da maneira errada. Errei a mão. E foi muito difícil admitir que eu fiz a merda toda. Mas eu não sou de ferro, tenho meus destemperos e nem sempre sei lidar com eles, entenda. Eu entendi toda sua insegurança e o medo. Mas me privar da minha vontade era difícil. Ou satisfazia por inteiro, ou me deixava na vontade de vez. Escolhi a segunda opção. Escolhi o certo de forma errada. Falhei. Quem nunca?

Espero que tenha entendido mesmo que todo mundo salga a carne, erra o acorde, esquece uma palavra...

E eu errei o tom. Dó De Mi, Não Faz Sol.

“Talvez, a resposta correta pode não ser a solução.”

quarta-feira, 25 de julho de 2012

Entregue


Dançando a dança do som
Sorrindo a graça da rua
Sentir sua mão sobre a minha
E assistir o nascer da lua

Ouvir o rádio sem tédio
Ler a bula sem tomar remédio
Viver sem procurar sentido na vida
Subir escadas sem ter prédio

Fico sem chão quando tem paixão
Vou com o vento, eu não enxergo
Falta pouco pra não respirar
Não me contenho, eu me entrego

domingo, 8 de julho de 2012

Nada concreto


Nunca gostei de despedidas. Acho que é pelo fato delas me fazerem chorar. E quando eu choro acabo assustando as pessoas. Não, não choro pavorosamente. É que não estão acostumados a me verem chorar mesmo. É estranho até pra mim. E quando eu começo é difícil parar, acho que toda lágrima que ficou aprisionada durante um longo tempo quer sair. Esses dias estou emocionalmente instável. Acabei de me formar e vou ter que acostumar com a ideia de ver, cada vez menos, as pessoas que convivi durante quase todos os dias no último ano e meio. E não é só isso. Minha melhor amiga vai passar 5 meses na Carolina do Norte. É bem longe. A internet vai remediar a dor da distância. Tô tendo que conviver com o fim do meu estágio também. Ganhava pouco mas me divertia muito. Desempregado, pobre e sem dinheiro definem meu perfil nesse momento. Nesse período de vagabundagem ócio me apaguei a uma série gringa, “Shameless”. Ótima comédia dramática. Mostra os humanos como realmente são. Sem draminhas teens ou sofrimentos sem fim. E toda vez que termina um episódio eu sinto saudades dos personagens e volto correndo pro PC pra baixar mais um episódio. Além disso, esses dias tem me batido uma velha saudade de um sentimento muito bom que foi interrompido com dó e sem piedade. Mas já falei muito dele aqui. Esse texto foi só pra falar de saudade mesmo. Nada concreto. 

sábado, 2 de junho de 2012

To Love Somebody (I see your face again)



Eu sei que tudo passa, que não foi o primeiro nem o último. Mas sabe? Sabe. Eu sei que sabe. O fantasma do “se” não some, é um martelo batendo na minha cabeça o tempo todo. É um vai e vem, que não pára. Diminui mas não pára. Eu tenho o que estudar, tenho que trabalhar, amigos pra cuidar e para cuidarem de mim. Tudo isso ocupa meu tempo, mas sempre há um momento em que eu me pego falhando e vivendo o que nunca aconteceu. Esse sou eu. “Hoje eu olhei pra lua me lembrei de você.” “Mas por quê?” “Ela está linda.”. Veio um vento frio, minha cachorra pulou em mim e eu acordei. Era um sonho. Eu mais uma vez acordando pra dentro e vivendo o que a vida podia ser.

Apesar de tudo pesar muito, você pesa mais.

E eu sou forte o bastante pra te carregar junto com outros.