O caos mental é tudo que ele tem. Mais
nada. Tudo que ele não tem é o sossego de uma noite bem dormida, um afago do
amor no fim do dia, o silêncio do nada... Tentam de todas as formas ensiná-lo a
fingir, dizer e pensar que poderia estar pior, mas ele não quis aprender.
Faltou coragem e saco pra tanto. Não conseguia ver carnaval em meio a tanto
velório. Nem mesmo ele sabia onde estava seu céu, quais milagres precisava para
se sentir completo e vivo de verdade. Ele se sentia só e mal acompanhado.
Corria, corria muito e se cansava. Todas as vozes de si mesmo eram seu
combustível para nunca parar. “CHEGA! PAREM! PARE!” Ele gritava pra si mesmo,
mostrando olhos silenciados para quem o olhava. Elas não chegam, elas não
param, ele não para.
segunda-feira, 16 de setembro de 2013
domingo, 15 de setembro de 2013
Um pouco
Um pouco de fantasia
Pra curar a mania de arder à dor do dia
Um pouco de harmonia
Pra sentir que a vida pode ser boa e não só melancolia
Um pouco de amor
Pra fingir que a felicidade não é só minha
Um pouco de paciência
Pra saber que a palavra necessária só pra frente caminha
Um pouco de aflição
Pra saber que nem tudo é happy end, comemoração
Um pouco de rebeldia
Pra saber que a sarna coça, sem distinção
Um pouco de família
Pra entender que a calmaria acaba no fim do dia
Um pouco de atenção
Pra perceber que não estou sozinho
Um pouco de amigos
Um pouco mesmo, bem pouco.
Um pouco de sexo
Todos os dias, pra ter um relaxante por perto
Um pouco de louco
Um pouco de torto
Um pouco de morto
É isso.
Tá perto.
quinta-feira, 3 de janeiro de 2013
Gato
Seu sobrenome é Gato. Cheio de manha, vontades, peculiaridades. Nunca fui de me apegar aos felinos. Principalmente os de miado muito mole e sedentos por atenção. Sempre me encantei por tigres ou leões: imponentes e destemidos. Esse Gato é atrevido, mas teme não ser querido. Então, logo dá seu jeito de se esfregar aqui e ali, buscando toda atenção que precisa para se sentir vivo. Os olhos do Gato, de uns tempos pra cá, andam se encontrando com os meus. Eles não se dão. Às vezes se ignoram, outras poucas namoram. Mas é rápido, eles não se apaixonam. Sem apegos. O Gato usa botas lindas e surradas, sujas de lama que não sai dali. Eu sempre a vejo, é memória que eu não devo esquecer, é para eu saber por onde ele andava enquanto eu me encontrava. Apesar de eu relutar, não encarar, amar os caninos e felinos de grande porte, esse Gato tem ganhado minha atenção. Mais do que merece, diga-se de passagem. Não, não quero admitir que, se ele quiser, pode se esfregar em mim pra fingir que fez muito pra me ganhar. E não vou admitir. Não mais. O que me mantem sempre arisco é toda aquela lama, que eu quero ver sempre; para saber por onde procurar esses miados sedentos por mim, que sempre dou toda minha atenção. O Gato está indo sujar um pouco mais suas botas. E eu? O que eu vou fazer? Vou escutar seus miados e fingir que eu não me apego, dando toda minha atenção. Afinal, é disso que ele precisa pra ser assim tão Gato.
domingo, 2 de dezembro de 2012
Discurso formal
Vem com um discurso
Nada amigável
Em tom de quem só vê o mal
Me olha no olho
Só vê desgosto
Dizendo: Nada disso é normal!
De um livro que nem leu o final
Mas diz entender
À minha roupa
À minha voz
E ao meu cabelo
Deseja todo o inferno que tem
Não me ouviu, esbravejou
Não entendeu que eu só amava alguém
Já de cara, jogou na cara
Que fui feito pra fazer outro alguém
Então me diz como vai ser no final
Se só o ódio vencer?
Nada amigável
Em tom de quem só vê o mal
Me olha no olho
Só vê desgosto
Dizendo: Nada disso é normal!
De um livro que nem leu o final
Mas diz entender
À minha roupa
À minha voz
E ao meu cabelo
Deseja todo o inferno que tem
Não me ouviu, esbravejou
Não entendeu que eu só amava alguém
Já de cara, jogou na cara
Que fui feito pra fazer outro alguém
Então me diz como vai ser no final
Se só o ódio vencer?
segunda-feira, 5 de novembro de 2012
Voluptuoso
Quando na imaginação surge
Um momento de deslumbre
Logo vence o deleite
Flashes surgem num açoite
As mãos correm
Pelas planícies e curvas do corpo
Um falo, mastro, pau
Rígido, é o ponto principal
A despeito dos outros erógenos
Ele é o foco
Nos movimentos de cima a baixo
Em seu tronco e o ponto mais alto
Carrega toda a tensão
No ápice da fantasia
Aonde se torna dissoluto
Cospe o gozo para a prova
De que o apogeu dos prazeres
É físico, palpável
O produto desce por escárnio
Meias vidas pelo ralo
E então, por fim, o falo fali
Quieto e triste
Esperando por mais um devaneio voluptuoso
domingo, 28 de outubro de 2012
No final das contas
Quando eu era criança, achava que
seria professor de História. A beleza e o profissionalismo de uma professora da
5º série me encantavam. Mas muito antes disso, acho que aos 5 ou 6 anos, eu
queria ser o médico que fazia parto. Vulgo obstetra. Talvez fossem esses os
primeiros sinais de criatividade, dar vida a algo. Depois passei a gostar de
criar bolos com barro. Procurava pelo quintal e pela rua, objetos e plantas
para a cobertura. Não demorou muito para aprender a cozinhar: observava minha mãe
em todos os passos na cozinha. Daí queria ser cozinheiro, chefe de cozinha. “Pai,
quero estudar gastronomia e história”. Ele disse que ainda tinha muita água
para passar por baixo da ponte, e que eu iria mudar de ideia muitas vezes. Mantive
esse desejo até a 8º série. Foi quando, numa dessas pesquisas que os
professores costumam fazer em sala de aula, a professora Daniela (dava aula de
Artes) perguntou o que queríamos ser. Quando disse que estudaria gastronomia,
ela logo adiantou “Ce sabe que cê vai ter que ó... ir pra fora”. Me deu um frio
na barriga. Como assim ir pra fora? Ficar sem meus pais e irmão? Meus amigos? Não
dá. Tenho que fazer outra coisa. Não demorou muito pra eu descobrir uma nova
vontade. “Tio, o que eu tenho que estudar pra ser diretor de clipe?” “Ah...
Cinema.” Minha tia fez uma cara de “Cê vai estudar isso?”. Ok. Agora quando me
perguntarem o que eu vou estudar, a resposta será Cinema. Sempre via meus
colegas dizendo que iriam fazer medicina, engenharia, psicologia... Coisas
socialmente aceitáveis. Mas eu queria fazer Cinema. Eu, pobre, morando na zona
norte. “Vai viver do quê?” Não sei como descobri Publicidade e Propaganda. Mas
já no ensino médio me lembro de ter escolhido isso. Hoje eu nem quero mais. Um
dia meu amigo me apresentou o “Movie Maker”, editor de vídeo do Windows. Achei
fascinante. Depois disso pesquisei sobre outros programas semelhantes e decidi:
vou ser diretor e editor. Sempre que era possível, eu apresentava um trabalho
em vídeo. Mesmo quando não dava, eu gravava a apresentação pra editar e
compartilhar com os amigos. Era uma paixão sem volta. Em 2011 comecei a estudar
para seguir esse sonho. Formei-me em Técnico em Rádio e Televisão. UAU! Passou
um filme longo na minha cabeça: depois de tanto divagar sobre profissões,
encontrei a que realmente faz sentido. Mas um sentimento de insatisfação toma
conta de mim, numa proporção pavorosa. Nunca está bom o suficiente. Sempre acho
que falta um pedaço, sobra um pedaço. E ter estudado o que eu realmente
escolhi, encheu minha cabeça de interrogações. Descobri que canto bem em jingle,
sou um bom locutor, amante de fofocas cômicas de subcelebridades (criei um
podcast pra isso), escrevo textos bons para meu tímido blog, sou um bom editor
de áudio e vídeo, aspirante a cinegrafista e operador de câmera. Além disso,
cozinho bem. Mas não fiz nenhum parto, me atrapalho pra contar histórias e não
tenho uma boa memória. Apesar de não parecer, não sou seguro de nada disso.
Acredito quando dizem que sou bom em alguma coisa só pra não pirar de vez.
Às vezes dá medo de não ser bom
em nada no final das contas.
Da curiosidade
Ai, se a curiosidade soubesse
O quanto a alma padece
Pra poder se sustentar
Ela se contentaria com o que tem
Não duvidaria de ninguém
E deixaria esse pobre homem descansar
Mas eu que sou quase bobo
Tenho o coração de tolo
A deixo tudo comandar
Eu que vivo me perdendo por aí
Logo tão tarde percebi
Que ela faz meu doce azedar
Ela que pergunta até quando
Tanto, quanto, até como
O meu peito pode aguentar
Falo grosso, bem baixinho
Admito, eu não minto
Que ela faz meu mundo girar
O quanto a alma padece
Pra poder se sustentar
Ela se contentaria com o que tem
Não duvidaria de ninguém
E deixaria esse pobre homem descansar
Mas eu que sou quase bobo
Tenho o coração de tolo
A deixo tudo comandar
Eu que vivo me perdendo por aí
Logo tão tarde percebi
Que ela faz meu doce azedar
Ela que pergunta até quando
Tanto, quanto, até como
O meu peito pode aguentar
Falo grosso, bem baixinho
Admito, eu não minto
Que ela faz meu mundo girar
Assinar:
Postagens (Atom)