quarta-feira, 11 de janeiro de 2012

Dessas Coisas

Andei por uma avenida perigosa já sabendo que estava mal cuidada. Eu sabia que o caminho que estava fazendo era desconhecido, e por isso perigoso. Mas o perigo não era movimentação de carros, de pessoas ou animais. Isso quase não tinha. O problema era mesmo os buracos, o desgaste do asfalto, as árvores do canteiro central secas e desfolhadas. Observava o movimento de pouquíssimas pessoas. Elas estavam felizes e soltavam pipas; era a comemoração da noite de São João. A tradição era levar a pipa até certa altura e depois deixá-la solta no ar, ara seguir o caminho que o vento achasse melhor. Com nuvens em tom de azul escuro, o céu contrastava em tom de rosa. As pessoas gritavam felizes, dizendo que aquilo era melhor coisa do mundo, que adoravam essa festa. As crianças corriam atrás dessas pipas, às vezes até brigavam por elas. Foguetes de todos os tipos brilhavam no céu. Eu me sentia totalmente deslocado no meio daquilo, mas queira ver mais. Queria conhecer mais. O telefone toca, eu sinto um abraço apertado, quente e protetor. A voz me dizia tudo que eu queria ouvir; mas era uma simples reprodução de bons tempos, sem mágoa, raiva, saudade ou desgosto. A avenida era um sonho perturbado. Sonho de febre. O abraço, um delírio acordado. Garganta inflamada e coração ferido têm dessas coisas.

sábado, 5 de novembro de 2011

Quem foi?

Nem esperava, foi inacreditável

Seu rosto era o mesmo

Seu cheiro era diferente


Olhei em seus olhos

E acreditei de verdade

Nas palavras embriagadas


O que queria me dizer?


Quando beijei sem a mesma vontade

Despertei o mais profundo desejo

Que adormecia em minha alma


Mas hoje quando acordei

Meu coração queria sair pela boca

Você tinha me dado o segundo beijo


Talvez ele quisesse fugir de mim

Sabendo que não era saudável

Até que realmente acordei e me perguntei


Qual foi a sensação de me ter?


Você sabia o quão intenso era

Minha vontade de sentir você?

Você sabia, você não queria


Depois me cobrou com os olhos

Uma obrigação que quis se abster

Hoje eu não sei o que pensar de você


Qual foi a sensação de me perder?

sábado, 22 de outubro de 2011

Palavras

E o que eu faço

Com todas essas palavras rodando

E minha cabeça fritando

A minha boca vai soltando

Todas elas sem pensar


Nem todos estão esperando

Essa desordem se libertar

Eu sinto muito se elas entram tão brutas

É que eu não tive tempo

De lapidar nessa gruta


É que pra mim não pode ser ontem

Tem que ser agora

Pra amanhã eu querer

Uma palavra nova


E não perder o tesão de me libertar

No momento que ela sai pela porta

Vai pro mundo, e não se ela volta


Eu grito que amo

Mas odeio também

Vai de um extremo ao outro

É isso que me mantém

quarta-feira, 7 de setembro de 2011

Quando escolhi ser livre

Quando escolhi ser livre,

sabia que os detentos iriam se rebelar.

Nada novo, tudo igual

Não podia me arriscar


Quando escolhi ser livre

Vi minha vida mudar

As paredes que me cercavam

Abriram portas pr’eu passar


Quando escolhi ser livre

Vi meus entes entristecerem

Eu não era aquilo que eles queriam

Queriam ver eles mesmos crescerem


Quando escolhi ser livre

Cheguei aqui fora assustado

Encontrei um novo mundo

Diferente do meu mundo calado


Agora livre aqui fora

Vou conhecer outros olhos

Correr mundo a fora

E hoje eu sei

Sou mais feliz agora

Meu Pranto

Nunca verão minhas lagrimas em vão

Elas brotam por dor dos que partiram

E dos nunca mais voltarão


Dores da carne viva

São dignas do meu pranto

Dessas só remédios trazem o acalanto


Chorar por dor de amor

Não pertence a minha vivencia

Não choro pela paixão traída

Essas mudam, mas sempre terão a mesma essência


Quando as lágrimas caírem

Deixe que elas se resolvam

Elas secam sozinhas

E não pelas mãos de outro

segunda-feira, 15 de agosto de 2011

Amor, amor.

Eu sei que sou bom além do necessário. E por isso você tem tanto medo de mim. Coloque meu nome aí na sua lista, que você vive dizendo ser repleta de experiencias. Na frente escreva que você nunca sentiu nada igual, que vai se arrepender de ter sido covarde e que o mais prejudicado é você. Quero que você sinta meu cheiro a cada vez que o vento soprar, desejo que sua boca salive até desidratar, sentindo saudade do gosto do meu beijo. Quero também que todo carinho que os outros vão te oferecer, chegue até o seu rosto como o fio de uma navalha gelada. Sinta em sua carne o ardor de toda a paixão que sinto por você, e que me fez escrever o que você lê agora. Sim. Não consigo parar pensar em você, nos momentos em que te dei todo o carinho e atenção que nenhum outro até agora sentiu. Eu sou seu ursinho macio na pele de um ogro. Sou toda essa raiva contida e o amor como um todo. Amanhã quero acordar virgem de seus beijos e afagos. Não quero mais sentir falta daquele outrem que conheci. Quero partir da sua vida como um estranho numa multidão. Não quero mais ser dócil, não quero ser dócil. Certa vez você me disse que sua mãe lhe ensinou a não aceitar doce de estranhos.

"Amor, amor, vou te deixar morrer de novo."

sábado, 13 de agosto de 2011

Humano, demasiado humano

Quando compreender o homem

Será seu ultimo feito

Estará fora de si

Traduziu o ser mais imperfeito


Satisfação não é seu natural

Nem mesmo quando está feliz

Como pode querer mais

Quando tem o que sempre quis?


Nada importa quando está cômodo

Se inquieta quando se acalma

Sempre busca o contrario do que tem

Nunca dá descanso a sua alma


Se reclama por amar alguém

Senta e chora quando não mais o tem

Lamenta por estar sozinho

As vezes foge se um parceiro vem


Ser humano insatisfeito

Não sabe o que quer

Sempre busca um caminho

E não entende o que é