Andei por uma avenida perigosa já sabendo que estava mal cuidada. Eu sabia que o caminho que estava fazendo era desconhecido, e por isso perigoso. Mas o perigo não era movimentação de carros, de pessoas ou animais. Isso quase não tinha. O problema era mesmo os buracos, o desgaste do asfalto, as árvores do canteiro central secas e desfolhadas. Observava o movimento de pouquíssimas pessoas. Elas estavam felizes e soltavam pipas; era a comemoração da noite de São João. A tradição era levar a pipa até certa altura e depois deixá-la solta no ar, ara seguir o caminho que o vento achasse melhor. Com nuvens em tom de azul escuro, o céu contrastava em tom de rosa. As pessoas gritavam felizes, dizendo que aquilo era melhor coisa do mundo, que adoravam essa festa. As crianças corriam atrás dessas pipas, às vezes até brigavam por elas. Foguetes de todos os tipos brilhavam no céu. Eu me sentia totalmente deslocado no meio daquilo, mas queira ver mais. Queria conhecer mais. O telefone toca, eu sinto um abraço apertado, quente e protetor. A voz me dizia tudo que eu queria ouvir; mas era uma simples reprodução de bons tempos, sem mágoa, raiva, saudade ou desgosto. A avenida era um sonho perturbado. Sonho de febre. O abraço, um delírio acordado. Garganta inflamada e coração ferido têm dessas coisas.
quarta-feira, 11 de janeiro de 2012
sábado, 5 de novembro de 2011
Quem foi?
Nem esperava, foi inacreditável
Seu rosto era o mesmo
Seu cheiro era diferente
Olhei em seus olhos
E acreditei de verdade
Nas palavras embriagadas
O que queria me dizer?
Quando beijei sem a mesma vontade
Despertei o mais profundo desejo
Que adormecia em minha alma
Mas hoje quando acordei
Meu coração queria sair pela boca
Você tinha me dado o segundo beijo
Talvez ele quisesse fugir de mim
Sabendo que não era saudável
Até que realmente acordei e me perguntei
Qual foi a sensação de me ter?
Você sabia o quão intenso era
Minha vontade de sentir você?
Você sabia, você não queria
Depois me cobrou com os olhos
Uma obrigação que quis se abster
Hoje eu não sei o que pensar de você
Qual foi a sensação de me perder?
sábado, 22 de outubro de 2011
Palavras
E o que eu faço
Com todas essas palavras rodando
E minha cabeça fritando
A minha boca vai soltando
Todas elas sem pensar
Nem todos estão esperando
Essa desordem se libertar
Eu sinto muito se elas entram tão brutas
É que eu não tive tempo
De lapidar nessa gruta
É que pra mim não pode ser ontem
Tem que ser agora
Pra amanhã eu querer
Uma palavra nova
E não perder o tesão de me libertar
No momento que ela sai pela porta
Vai pro mundo, e não se ela volta
Eu grito que amo
Mas odeio também
Vai de um extremo ao outro
É isso que me mantém
quarta-feira, 7 de setembro de 2011
Quando escolhi ser livre
Quando escolhi ser livre,
sabia que os detentos iriam se rebelar.
Nada novo, tudo igual
Não podia me arriscar
Quando escolhi ser livre
Vi minha vida mudar
As paredes que me cercavam
Abriram portas pr’eu passar
Quando escolhi ser livre
Vi meus entes entristecerem
Eu não era aquilo que eles queriam
Queriam ver eles mesmos crescerem
Quando escolhi ser livre
Cheguei aqui fora assustado
Encontrei um novo mundo
Diferente do meu mundo calado
Agora livre aqui fora
Vou conhecer outros olhos
Correr mundo a fora
E hoje eu sei
Sou mais feliz agora
Meu Pranto
Nunca verão minhas lagrimas em vão
Elas brotam por dor dos que partiram
E dos nunca mais voltarão
Dores da carne viva
São dignas do meu pranto
Dessas só remédios trazem o acalanto
Chorar por dor de amor
Não pertence a minha vivencia
Não choro pela paixão traída
Essas mudam, mas sempre terão a mesma essência
Quando as lágrimas caírem
Deixe que elas se resolvam
Elas secam sozinhas
E não pelas mãos de outro
segunda-feira, 15 de agosto de 2011
Amor, amor.
sábado, 13 de agosto de 2011
Humano, demasiado humano
Quando compreender o homem
Será seu ultimo feito
Estará fora de si
Traduziu o ser mais imperfeito
Satisfação não é seu natural
Nem mesmo quando está feliz
Como pode querer mais
Quando tem o que sempre quis?
Nada importa quando está cômodo
Se inquieta quando se acalma
Sempre busca o contrario do que tem
Nunca dá descanso a sua alma
Se reclama por amar alguém
Senta e chora quando não mais o tem
Lamenta por estar sozinho
As vezes foge se um parceiro vem
Ser humano insatisfeito
Não sabe o que quer
Sempre busca um caminho
E não entende o que é